COMO MARADONA, 90% DAS PESSOAS QUE SOFREM PARADA CARDÍACA FORA DE HOSPITAL MORREM POR FALTA DE ATENDIMENTO ADEQUADO

No fim de novembro, um dos maiores ídolos do futebol mundial morreu após uma parada cardiorrespiratória. Aos 60 anos de idade, Diego Armando Maradona foi uma das 17,5 milhões de pessoas que perdem a vida todos os anos vítimas de doenças cardiovasculares. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) esta é a principal causa de mortes em todo o planeta.

No Brasil, a cada 90 segundos, uma pessoa morre devido a doenças cardíacas. Em média, são 380 mil vítimas fatais por ano, o equivalente a 30% de todas as mortes no país, constituindo-se na maior causa de óbitos. Até 22 de dezembro, de acordo com o Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a realidade superou a estimativa, totalizando 394 mil pessoas que perderam a vida no Brasil devido a complicações cardiovasculares em 2020.

De acordo com a American Heart Association (AHA), 90% das pessoas que sofrem parada cardíaca fora de um hospital morrem por falta de atendimento adequado. No Brasil, estima-se que cerca de 200 mil pessoas por ano vêm a óbito por arritmias cardíacas fora do ambiente hospitalar, sendo que 86% dos casos ocorrem nos lares das vítimas e 14% em locais públicos ou de grande concentração de pessoas como shoppings e clubes. E sem um atendimento rápido e eficaz, a chance de sobrevida é muitíssimo pequena.

Em 2020, devido à pandemia e ao receio dos pacientes em procurar ajuda nos hospitais, o número de mortes por doenças cardiovasculares fora das unidades de saúde deve ser ainda maior. Os cartórios brasileiros registraram aumento de 31% de óbitos por doenças cardiovasculares no país em meio à pandemia de Covid-19.

É o que apontam os dados do painel do Portal da Transparência do Registro Civil, desenvolvido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Como o álcool, colesterol elevado, diabetes, estresse, hipertensão, sedentarismo, obesidade e tabagismo são alguns dos fatores que aumentam os riscos de doenças cardíacas, as mortes poderiam ser evitadas com cuidados preventivos como prática de exercício físico, alimentação saudável, exames regulares, adequada saúde mental, controle de doenças crônicas pré-existentes, entre outros.

Outro ponto fundamental que poderia auxiliar a melhorar estes índices é a presença de desfibrilador externo automático, chamado DEA. Em locais de grande circulação de pessoas, com fluxo maior do que 1.500 pessoas por dia, ele inclusive é garantido por lei. Como grande parte das paradas cardiorrespiratórias são por arritmias, seu uso precoce é mandatório. Se usado no local da emergência, da forma correta e rápida, cada minuto representa um aumento de 10% na chance de sobrevivência.

Apesar das leis que tornam obrigatória a manutenção de DEAs, ainda é raro encontrar o aparelho em locais públicos com grande concentração de pessoas. Em aeroportos, shoppings centers e escolas, um aparelho deve estar disponível, em local visível e de fácil acesso. Esse local deve manter uma placa informativa, com o símbolo universal do desfibrilador.

Em Balneário Camboriú, o Centro Universitário Avantis – UniAvan não precisou de lei específica no município para aumentar a segurança de todos os estudantes e profissionais. Desde 2019, a instituição de ensino disponibiliza o equipamento em seu campus, fundamental no atendimento de uma PCR (Parada Cardiorrespiratória). Seu uso é auto explicativo, com aviso sonoro e instruções após ser ligado.

Ainda em Balneário Camboriú, a Exponential Medical Education (EME) oferece diversos cursos voltados a profissionais da saúde e à sociedade em geral. Único centro de treinamento autorizado da AHA – American Heart Association em Santa Catarina, disponibiliza treinamentos realizados por meio de simulações realísticas para os cursos de Suporte Básico de Vida (BLS) e Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS), ambos dedicados à profissionais de saúde.
Outra capacitação que a EME Doctors promove é o Salva Corações – Primeiros Socorros destinado à população e que abrange, entre outros, atendimentos de primeiros socorros, simulação de reanimação à parada cardíaca e como estancar sangramentos em ferimentos domésticos.

A prevenção e o tratamento adequado dos fatores de risco e das doenças cardiovasculares contribuem para diminuir o número de mortes por doenças cardiovasculares em todo o mundo. A estruturação dos locais públicos com a manutenção de aparelhos DEAs é parte importante neste circuito. Mas sem treinamento de todos tudo seria em vão. A capacitação de uma quantidade cada vez maior de pessoas, inclusive leigos, para atenderem casos de emergência relacionadas a doenças cardiovasculares poderia garantir que os corações de milhares de pessoas em todo o mundo continuassem a bater. Minutos fazem a diferença!

Essas condições poderiam ter mudado o rumo da vida do maior ídolo de todos os tempos do futebol argentino, fazendo com que o craque seguisse a arrancar sorrisos e aplausos, em vez de lágrimas e tristeza.