COMOS OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS VÃO MELHORAR A HUMANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO MÉDICO

O mundo tem se modificado muito rápido. Os avanços tecnológicos caminham de forma surpreendente. A corrida espacial aponta marte como próximo destino da humanidade. A internet das coisas promete conectar sua geladeira com o vaso sanitário. A análise de big data já é realidade nas suas redes sociais, possibilitando integração de inúmeros dados. Sem falar no dinheiro que cada vez é mais digital e menos papel.

A medicina é uma das últimas fronteiras a serem desbravadas nesta corrida tecnológica. Seus conceitos ligados à relação pessoal, a relação médico-paciente, o perfil dos profissionais e seus preconceitos, retardaram esse inevitável processo.

A pandemia acelerou tudo isso. Em poucas semanas, o assunto da telemedicina que era discutido há anos, sem consenso, foi liberado. Hoje, fica difícil acreditar que ainda tenhamos espaço para uma nova discussão a respeito. A tecnologia não pediu permissão, apenas pediu licença.

Se antes tínhamos necessidade de reuniões presenciais, congressos médicos em diferentes localidades, atualmente plataformas como o Zoom ou Google Meet reúnem pessoas ao redor do mundo, facilitando encontros que antes eram verdadeiras ocasiões especiais, assistidos por um grupo seleto. Hoje reúnem milhares de pessoas em uma live. Tempos modernos…

A quarta revolução industrial começou há alguns anos, mas muitas pessoas não se deram conta disso. Agora, não temos mais como negar a verdade diante dos nossos olhos.

Algumas ferramentas são fundamentais para entendermos como isso está modificando nossa vida. Se você ainda duvida, mude seu mindset, ou ficará preso num passado sem volta. Chego a dizer que o “novo normal” não é tão novo assim.

Com a análise de dados rápida, por computadores cada vez mais completos, aliados à inteligência artificial, tecnologia de proteção dos dados e criptografia, as informações em saúde ganham importância a passos largos. A aprovação da Lei Geral de Proteção dos Dados promete segurança, ao mesmo tempo, que o arsenal de tecnologia da informação mostra que “informação é poder!”.

Teleconsulta, telediagnóstico, laudos à distância são realidades. Isso está presente em nossos celulares todos os dias. Faz parte do dia a dia do médico. Nega-la é não aceitar a realidade. A robótica certamente vai contribuir para uma melhoria destes meios, com integração e segurança, garantindo a diminuição de falhas humanas e a aceleração de processos.

Os dispositivos wearbles, mensurando sinais vitais e transmitindo dados podem garantir um atendimento precoce na hipótese de pequenas alterações. Isso beneficiaria muitos idosos certamente. Mas não é só isso. Imagine só quando estes dispositivos estiverem conectados aos seus aparelhos de casa. Essa fronteira está prestes a ser rompida, afinal seu apple watch precisa ser mais útil do que contar seus passos ou mostrar seus e-mails. A IoT (Internet of Things) vai interligar tudo e todos.

E ainda temos a engenharia genética, o uso de terapia molecular, os avanços em nanotecnologia. A possibilidade de robôs minúsculos, que ganham a capacidade de circular na corrente sanguínea, além de medicamentos individualizados caso a caso, ou desenvolvimento de órgãos próprios para serem substituídos na ocasião de uma falha do seu original. Parece ficção científica mas não é.

Um ilustre colega médico, grande pesquisador das novas tecnologias ligadas à medicina, Dr. Leonardo Aguiar, sempre usa uma frase que gosto de compartilhar: não seremos substituídos por robôs, mas sim por humanos que saibam trabalhar com os robôs.

Se continuarmos procurando fazer mecanicamente aquilo que devemos fazer de forma humana, não teremos espaço. Cansamos, erramos, não conseguimos trabalhar 24/7. As máquinas sim, não precisam de descanso, repouso. Somente manutenção quando necessário ou troca por uma mais nova, moderna.

Os seres humanos precisam de humanidade. A pandemia tem demonstrado isso de forma clara, embora muitos ainda não consigam enxergar. A medicina retardou o desenvolvimento de algumas frentes tecnológicas. Chegou a hora de manter a mais importante: a humanização do atendimento já que teremos mais tempo dedicado ao paciente pois a tecnologia pode fazer o trabalho mecânico que estávamos acostumados. Hora de grande reflexão!