Coronavírus – Como os profissionais de saúde devem se proteger durante a pandemia

Hospitais e unidades de saúde devem seguir protocolos de atendimento para quadros respiratórios, fornecer equipamentos de segurança e reforçar a sensibilização sobre higienização entre os funcionários

No início de dezembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou o primeiro caso do novo Coronavírus (Covid-19), apesar de dados do governo chinês apontarem que a contaminação inicial tenha acontecido um mês antes. De lá para cá, os números de pessoas infectadas superou a marca de 1 milhão, como aponta o levantamento da Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos. A alta transmissão do vírus resultou na declaração de pandemia e, consequentemente, no isolamento social. No entanto, para conter o crescimento e atender os casos suspeitos, os profissionais de saúde precisaram assumir a linha de frente, o que levantou o alerta sobre a exposição da classe.

Na Espanha, os dados chamam atenção. Em 22 de março, 12% dos 28,5 mil infectados eram profissionais de saúde – nos primeiros dias de abril, o país já registrou 117.710 casos da doença. A realidade é similar na Itália que, até o momento, apresentou mais de 100 mil infectados, sendo 6,4 mil servidores de hospitais, clínicas e unidades de saúde, além de 51 médicos mortos pelo novo vírus. Este cenário também já é visto no Brasil, apesar de ser em menor escala. Na segunda quinzena de março, dois hospitais do Rio de Janeiro e de São Paulo registraram infecções entre os profissionais.

Para evitar o aumento nos casos de profissionais de saúde infectados, os hospitais e unidades de saúde brasileiros redobraram as orientações de proteção, que devem ser proporcionais aos riscos de infecção. Por conta disso, a EME Doctors elencou três medidas necessárias em casos de pacientes com sintomas respiratórios. Confira:

1 – Protocolos de atendimento

Os hospitais brasileiros adotaram protocolos de atendimento para quadros respiratórios em decorrência do novo vírus. O enfermeiro deve alertar na ficha do paciente durante a triagem se há a suspeita para o Coronavírus. Dessa forma, toda a equipe é notificada e orientada sobre o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

2 – Uso de EPIs

Tanto para o novo Coronavírus quanto qualquer outro vírus transmissível, é indicado que os profissionais adotem no atendimento direto o uso de máscaras máscara N95/PFF2 ou cirúrgicas; protetores para os olhos e faciais; luvas, gorro e aventais descartáveis. As máscaras, inclusive, merecem uma atenção especial. Coloque-a com cuidado para cobrir a boca e o nariz, amarre-a e assegure-se que não há lacunas com o rosto. Enquanto estiver utilizando, não toque-a. No fim do procedimento, remova o laço ou o nó na parte posterior da máscara e a descarte em local apropriado. Não reutilize o material e a substitua caso esteja úmida ou danificada.

3 – Higienização periódica

Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, além de desinfetá-las com álcool em gel, também é uma regra para os profissionais de saúde. A OMS orienta que os profissionais sigam o que é repassado em sala de aula e higienizem as mãos antes do contato com o paciente, antes da realização de procedimento asséptico, após risco de exposição a fluídos corporais e após contato com áreas próximas ao paciente. Além disso, as equipes devem desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

O que leva os profissionais a serem afetados pela Covid-19?

Alguns fatores podem deixar os profissionais de saúde mais propensos a contraírem o novo Coronavírus. Médicos e enfermeiros, entre outros que estão na linha de frente, estão expostos à uma grande quantidade de vírus. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, um paciente da cidade de Wuhan, na China, passou o vírus para 14 profissionais da saúde antes de ter febre, um dos principais sintomas. O risco é eminente em hospitais e unidades de saúde. Assim, eles podem ser pólos de proliferação da doença se não houverem os cuidados corretos.

Outro fator predominante é a falta de EPIs para realização dos trabalhos. Países como a França e o Zimbábue registraram pedidos à justiça sobre falha no aumento da produção de máscaras pelo governo e paralisações dos trabalhos, respectivamente. Além disso, também há a baixa produção de equipamentos em países asiáticos, que comercializam com o mundo.