COVID-19 aumenta casos de mortes por complicações cardiovasculares

O coronavírus trouxe uma série de desafios para a saúde em todo o Brasil. E desencadeou uma pandemia de consequências que ainda não podem ser mensuradas. Mas estimativas e estudos recentes apontam para o aumento de deficiências em pacientes pós-covid. As complicações respiratórias são as mais frequentes. Mas o aumento de problemas cardiovasculares também está preocupando os profissionais e comprometendo a vida de pessoas em todo o mundo.

Antes mesmo do coronavírus as doenças cardíacas já representavam uma verdadeira pandemia, sendo a maior causa de morte em todo o planeta. E no Brasil não é diferente. Em média, são 380 mil vítimas fatais por ano, o equivalente a 30% de todas as mortes no país. Mas este ano, devido a complicações e consequências da Covid-19, o número deve ser ainda maior.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Dr. Marcelo Queiroga, como a Covid-19 também afeta o coração, a taxa de mortalidade pode superar 10%. Além disso, muitos pacientes não estão recorrendo a unidades de saúde, seguindo a recomendação de ficar em casa, especialmente os que estão no grupo de risco por doenças crônicas, o que pode contribuir para a elevação dos óbitos em virtude do diagnóstico tardio de complicações.

Segundo dados do Portal da Transparência, compilados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a pandemia aumentou as mortes cardiovasculares em casa. Entre março e maio de 2019, os óbitos em domicílio decorrentes de complicações cardiovasculares totalizaram 11.997. Em 2020, este número saltou para 15.870, um aumento de 32%.

A maioria das mortes por Covid-19 ocorre em portadores de hipertensão, insuficiência cardíaca, doença coronariana e arritmias. Segundo Boletim do American College of Cardiology, de todos os pacientes hospitalizados pela Covid-19, metade apresentava doenças crônicas, sendo que 40% possuíam doença cardiovascular ou cerebrovascular.

Mas não são apenas os pacientes que já apresentam alguma deficiência no coração que precisam ficar atentos. Pessoas sem doenças cardiovasculares também podem sofrer danos no coração após ter Covid-19. O vírus pode causar inflamação e afetar o funcionamento do músculo cardíaco, desencadeando outras complicações como infartos, insuficiência cardíaca, isquemia, trombose e miocardites.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça que é fundamental acompanhamento médico na ocorrência de sintomas como dor no peito de duração prolongada, falta de ar, palpitações, palidez e suor frio. Estes sinais persistentes podem ser o “coração pedindo socorro”. E neste caso, procurar um atendimento médico com urgência é fundamental.

As recomendações para os cardiopatas seguem ainda mais intensas, sendo o cuidado e a prevenção essenciais para evitar o contágio e o tratamento precoce e seu seguimento, fundamentais para evitarmos complicações.
Neste tempo de incertezas, o que devemos fazer é mantermos o cuidado, sendo o acompanhamento médico imprescindível nesta linha de tratamento.