EMBORA INFREQUENTE NO BRASIL, A HIPOTERMIA PODE ACONTECER. E É MUITO SÉRIA!

Fatalidades por imersão em água fria ocorrem todos os anos – até mesmo em nadadores experientes. Como acontece nos filmes de Hollywood, a maioria das pessoas acredita que a hipotermia vai matá-las em 5 minutos após a imersão, então elas entram em pânico e se afogam. Na realidade, você tem mais de 30 minutos antes de ficar hipotérmico, mesmo em água gelada. Vamos dar uma olhada nas diferentes fases pelas quais o corpo passa quando é imerso em água fria.

Fase 1: A resposta ao choque frio

A reação inicial do corpo à imersão em água mais fria que 15-20 ° C é o chamado choque frio. O resfriamento rápido da pele inicia um reflexo de suspiro, hiperventilação e uma incapacidade de prender a respiração. Esta resposta é a principal causa do afogamento se a cabeça da vítima for submersa durante a entrada inicial em água fria e pode potencializar o afogamento em condições em que a vítima precisaria prender a respiração, como no mar com ondas ou em rio com correnteza. O resfriamento da pele também leva à vasoconstrição periférica e aumenta o débito cardíaco, a freqüência cardíaca e a pressão arterial. Essas mudanças cardiovasculares abruptas podem produzir arritmias cardíacas, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em indivíduos suscetíveis. Para aquelas pessoas que conseguem relaxar e manter a respiração sob controle, o choque frio geralmente cede em 1 a 2 minutos.

Fase 2: Incapacitação pelo frio

Os sobreviventes da resposta ao choque frio experimentarão em seguida incapacitação pelo frio ou perda das habilidades neuromusculares básicas. Isso geralmente ocorre durante os primeiros 10 a 15 minutos de imersão em água fria. O resfriamento periférico significativo das fibras musculares e nervosas leva à rigidez das extremidades, má coordenação da atividade motora grossa e fina, perda de potência e falha na natação. Durante esta fase, torna-se cada vez mais difícil executar procedimentos básicos de sobrevivência, como agarrar uma corda de resgate. Vítimas de incapacitação pelo frio morrem afogadas por falhas na natação antes mesmo que a hipotermia tenha a chance de se instalar.

Fase 3: início da hipotermia

A maioria das mortes, como evidenciado acima, ocorre pelo afogamento durante os dois primeiros estágios da imersão em água fria. A hipotermia só se torna um problema significativo se a imersão durar mais de 30 a 60 minutos. A hipotermia ocorre quando a perda contínua de calor do corpo diminui a temperatura central. As vítimas acabam perdendo a consciência e se afogando, a menos que estejam usando um colete salva vidas ou algum outro fator permita que fiquem à tona. Se a cabeça da vítima for mantida acima da água, ela poderá sobreviver por uma hora ou mais antes que seu coração pare de bater.

Fase 4: Colapso do Resgate do Circuito

Apesar de ter sido recuperado em uma condição aparentemente estável, um sobrevivente de imersão em água fria pode sofrer um mal súbito variando de desmaio até a PCR (parada cardiorrespiratória) durante o período de resgate. Elas podem acontecer minutos antes do resgate até 24 horas após o mesmo. Três causas foram propostas. A primeira é a pós-queda da temperatura central, em que a temperatura central continua a cair mesmo após o término da imersão em água fria. O segundo é o choque, definido como a diminuição da oferta de oxigênio aos tecidos por um evento circulatório. Quando o resgate é iminente, a vítima pode relaxar o suficiente para causar uma queda na pressão arterial, que por sua vez pode causar desmaios e afogamento. O resgate em si também pode reduzir a pressão arterial. Puxar a vítima para fora da água em posição vertical remove a compressão hidrostática ao redor das extremidades inferiores e causa acúmulo de sangue nas pernas, o que subsequentemente diminui a pressão arterial por diminuição da pré-carga. Assim, é importante remover as vítimas de imersão em água fria da água na posição horizontal. A terceira causa proposta para o colapso são os fatores como hipóxia, acidose metabólica e mudanças rápidas no pH. Vítimas de imersão em água fria devem ser manuseadas com muito cuidado.

Antes da possível exposição:

Avalie sua habilidade de natação e pratique habilidades de auto-resgate em diferentes condições de água fria (ondas, surfe, corredeiras, correnteza, alto mar, etc.). Conhecer seus limites é mandatório para praticantes de atividades aquáticas, principalmente em rios com correnteza ou no mar.
Use roupas isoladas, como roupa seca ou roupa de mergulho.
Use um colete salva-vidas de espuma, em vez de inflável. Sem um colete salva-vidas, você gastará uma energia valiosa na água e não conseguirá manter a cabeça acima da água no caso de ficar inconsciente.

Se você estiver imerso em água fria:

Quando possível, tente entrar na água lentamente e sem submergir a cabeça. Nunca mergulhe em água fria.

No primeiro minuto, controle a respiração e NÃO entre em pânico. Então saia da água o mais rápido possível.

Comece a nadar apenas se conseguir alcançar a segurança em 30 minutos.
Se o auto-resgate não for possível, minimize sua exposição, garanta a flutuação e peça assistência. Ações para minimizar a perda de calor devem ser iniciadas.

Se você estiver sozinho, use a posição AJUDA ou redução de escape de calor. Fique o mais imóvel possível com os braços pressionados contra o peito e as pernas flexionadas e pressionadas uma contra a outra.
Se você estiver com um grupo, junte-se. Junte as laterais do peito de cada um o máximo possível, envolvam as costas uns dos outros com os braços e entrelace as pernas.

Lembre-se da regra básica relacionada ao tempo – 1′ 10’ 1 hora, ou seja: 1 minuto para controlar a respiração; 10 minutos de movimento significativo para sair da água ou para se proteger contra afogamento; e 1 hora até ficar inconsciente por causa da hipotermia.

Autora:
Jessica Walrath, MD.
Graduada da Yale Wilderness Medicine Fellowship