Medicina Intensiva: por que escolher esta especialidade?

A Medicina Intensiva (MI) é uma especialidade relativamente nova, tendo sido reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB) em 1981 e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1992. O especialista nesta modalidade é um médico treinado e avaliado para ser proficiente no gerenciamento clínico abrangente de pacientes graves, como líder de uma equipe multidisciplinar. Pacientes críticos são aqueles com falha em sistema de órgão único e múltiplo com risco de morte, deterioração clínica, ou que requerem ressuscitação e/ou tratamento em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou em uma unidade de alta dependência.

No artigo intitulado “Motivos relacionados à escolha da medicina intensiva como especialidade por médicos residentes”, de 2009, membros da Liga Acadêmica de Medicina Intensiva da Bahia (LAMIB), apontam que o desenvolvimento da modalidade no Brasil foi significativa, com importante aumento no número de UTIs, o que demandou que o número de médicos especializados na área fosse cada vez mais crescente. “Desde 1998, a portaria governamental nº 3432 passou a exigir a presença do especialista titulado em MI nas atividades diárias das UTIs brasileiras, visando o manuseio otimizado de pacientes críticos. No entanto, muitos destes serviços ainda não apresentam médicos que possuam tal título”, afirma o estudo.

Multidisciplinaridade
A Medicina Intensiva vive num ponto interseccional entre assumir uma enorme responsabilidade — tendo em vista o estado crítico da maioria dos pacientes — e desenvolver habilidades multidisciplinares de maneira a pensar e agir com destreza e velocidade. Isso porque o especialista em terapia intensiva deve possuir um skillset clínico que inclua a capacidade de reconhecer e gerenciar os distúrbios associados a doenças médicas, cirúrgicas, obstétricas e pediátricas graves e de diagnosticar e tratar as condições que os causam.

Isso geralmente envolve técnicas de diagnóstico invasivas e não invasivas, monitoramento e modalidades de tratamento projetadas para apoiar órgãos vitais. Esse profissional também é especialista em cuidados em fim de vida, no diagnóstico de morte encefálica e em cuidados e apoio ao doador de órgãos; além de estarem frequentemente envolvidos no tratamento de pacientes em deterioração e gravemente enfermos fora da unidade de terapia intensiva, bem como no transporte e recuperação de pacientes gravemente enfermos.

Para desempenhar todas essas funções, o especialista em terapia intensiva também precisa ter habilidades avançadas de comunicação, que permitam uma interação apropriada e eficaz com pacientes, seus familiares, outros membros da equipe e médicos de referência. Esta competência permite uma prática colaborativa e multidisciplinar que pode significar bastante na hora de salvar uma vida e/ou iniciar a reabilitação de um paciente.

Notoriamente, não é uma especialidade que pode ser definida com as palavras “tranquilidade” ou “desimpedimento”. Ser especialista em Medicina Intensiva significa continuar aprendendo ao longo da vida profissional e reconhecer que o envolvimento no ensino, pesquisa, melhoria da qualidade e administração são essenciais para o papel.

Por que atuar nesta área?
De acordo com uma pesquisa divulgada pelo CFM em 2016, o número de leitos de internação, voltados para pacientes que ficam no hospital por mais de 24 horas vem caindo desde 2010 no Brasil. Contudo, entre as UTIs, o que ocorre é justamente o oposto: houve crescimento na quantidade de leitos no mesmo período. Neste ponto, justifica-se a necessidade de formar médicos especializados no atendimento multidisciplinar para atender a demanda de pacientes graves. Considerando uma sociedade complexa como a brasileira que, apesar de ser conhecida pela hospitalidade, se sobressai negativamente em índices de acidentes de trânsito e violência civil, investir nessa modalidade é algo significativo.

Com cenários tão complicados e dinâmicos, nos quais uma decisão pode ter impacto de sobrevida, a qualidade da formação é crucial. Por ser uma especialidade relativamente nova, existem muitos médicos atuantes em medicina intensiva no Brasil que vieram de outras subáreas. Com o crescimento da especialidade, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) determinou a uniformidade da formação intensivista. Atualmente, ela é baseada na aquisição e desenvolvimento das competências, habilidades e atitudes recomendadas pelo Programa de Competências em Medicina Intensiva (PROCOMI), habilitando os profissionais para prestar a prova de título da especialidade.

Escolher a Medicina Intensiva é uma decisão difícil e deve ser considerada com cuidado, mas pode ser uma as escolhas mais gratificantes da vida profissional de um médico. O artigo dos membros da LAMIB conclui que um grande empecilho para que médicos residentes optem pela especialidade é a qualidade de vida dos intensivistas, que trabalham em esquema de plantão e podem encarar a UTI como um ambiente estressante. No entanto, a remuneração média da especialidade leva esses fatores em consideração.

Tendências da Medicina Intensiva
A medicina é uma área científica em constate evolução. E isso se acelerou intensamente com o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais avançadas voltadas a exponenciar o conforto de pacientes, a precisão dos procedimentos e os resultados dos tratamentos. A MI não fica imune a essas inovações. Os profissionais que se dedicarem à pesquisa e à atuação podem ajudar a encontrar novas respostas e soluções para os problemas rotineiramente relatados em UTIs, em especial nas emergências, desordens, paradas respiratórias e choques.

Algumas tendências a serem consideradas ao decidir se dedicar à Medicina Intensiva são:
Inteligência artificial
Caracterizada pelo uso da tecnologia com o objetivo de reproduzir a capacidade humana de analisar dados e resolver problemas, a inteligência artificial certamente é um dos maiores agentes de transformação e inovação da medicina. Ela favorece o tratamento de pacientes em UTIs auxiliando a equipe médica para a tomada de decisões mais seguras e precisas. Apesar de ser uma área de pesquisa relativamente nova, ela apresenta uma grande promessa.

Humanização
Por muito tempo, a UTI foi vista como um lugar extremamente restrito, que não permitia visitas e onde os pacientes permaneciam inconscientes e, quase sempre, sem esperanças de melhoras. Felizmente, essa percepção está mudando. Hoje, a terapia intensiva é vista como um espaço de recuperação para que os pacientes, ao sair, possam dar continuidade à vida.

Esta virada de percepção ocorre devido ao processo de humanização pelo qual os hospitais e as equipes médicas vêm passando. Novas investigações e avanços tecnológicos proporcionaram grandes mudanças na área. As visitas, por exemplo, já são vistas como uma ajuda terapêutica, pois tendem a melhorar o estado emocional do paciente.

Parte disso, também, é a tendência de diminuição da sedação dos pacientes entubados, quando a situação permite. Isso possibilita que eles possam relatar suas dores e desconfortos, além de pedir para trocar de posição no leito. Quanto menos tempo um enfermo permanece sedado, mais rápido o seu cérebro voltar a funcionar normalmente.

Pós-graduação de Medicina em Terapia Intensiva (UTI)
O centro de treinamento médico Exponential Medical Education (EME Doctors) oferece pós-graduação lato sensu, em Balneário Camboriú (SC), para profissionais que desejam se especializar em Medicina Intensiva. O curso conta com conteúdo teórico e prático de temas como:
⦁ história, gestão e aspectos organizacionais da UTI;
⦁ pacientes críticos em diversos cenários;
⦁ nutrição, ultrassom e infectologia do paciente crítico;
⦁ analgesia, sedação e bloqueio neuromuscular; cuidados paliativos no paciente crítico;
⦁ infectologia, intoxicações exógenas e acidentes por animais peçonhentos, agentes físicos e químicos;
⦁ metodologia científica;
⦁ prática em UTI.

Entre os diferenciais da instituição estão o corpo clínico de renome, Estágio Curricular, treinamento de cenários clínicos em simulação realística, desenvolvimento de liderança necessária para o trabalho em equipe (próprios da multiprofissionalidade e transdisciplinaridade assistencial do paciente grave), visão multiprofissional na assistência ao paciente crítico e foco na resolução de desafios na rotina de cuidados do paciente crítico.

Confira mais informações sobre Pós-graduação de Medicina em Terapia Intensiva (UTI) do EME Doctors por meio do link: http://emedoctors.rds.land/pos-graduacao-em-medicina-intensiva