Pesquisa aponta desafios dos médicos que enfrentam a pandemia

Você sabe quais são os principais desafios reportados pelos profissionais da saúde que estão nas trincheiras e linhas de frente do combate à pandemia de Covid-19? A Associação Paulista de Medicina (APM) realizou uma pesquisa em que entrevistou 2.312 médicos do país para conhecer essas dificuldades. Falta de testes, baixíssima testagem nos próprios profissionais de saúde, falta de materiais e de qualificação para lidar com os pacientes infectados pela doença foram as principais reclamações.

A pesquisa, realizada entre os dias 9 e 17 de abril, aponta que há poucos locais com testes disponíveis para a maioria da população. Conforme os profissionais ouvidos, em 27,5% dos locais onde prestam atendimento não há teste algum; 41% dos estabelecimentos de saúde têm somente para pacientes com sintomas graves.

Desde o dia 16 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a aplicação de testes em massa para mapear os infectados e isolá-los. Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, a testagem em massa e a quarentena são as melhores medidas para controlar o avanço da doença. Mas mesmo estando na linha de frente, os médicos brasileiros não vêm sendo testados como se imaginaria. Dos entrevistados, 90,5% não foram testados para a Covid-19.

Em uma das questões de múltipla-escolha da pesquisa, os médicos também responderam quais as deficiências que vêm encontrando na atenção à pandemia no local de trabalho. No topo das reclamações, estão a falta de testes para todos os pacientes com suspeita de Covid-19 (66%), seguida pela falta de máscaras (50%), de proteção facial (38,5%) e máscaras cirúrgicas (36,5%). Falta de diretrizes de atendimento, álcool em gel 70%, aventais, luvas e leitos de UTI para pacientes que precisam de internação também estão entre as deficiências listadas.

Médicos em grupo de risco

Outro dado que preocupa em meio a essa pandemia é o fato de 34,8% dos médicos entrevistados terem pelo menos uma comorbidade, como diabetes, hipertensão, doença respiratória, obesidade, doença cardiovascular e insuficiência, o que os colocam no grupo de risco da Covid-19.

Falta capacitação

Questionados sobre se sentem-se capacitados para atender os casos suspeitos ou confirmados de coronavírus, apenas 15,5% responderam que foram capacitados para o atendimento em qualquer etapa da doença, incluindo os casos graves e sob tratamento intensivo.

Contato direto com a Covid-19

Dos entrevistados, 65% estão atendendo em hospitais e prontos-socorros que recebem pacientes com Covid-19. Dos pacientes suspeitos ou confirmados atendidos pelos médicos entrevistados, 13% vieram a falecer.

Ver de perto os casos e a situação dos pacientes certamente causa impacto nos trabalhadores da saúde. Perguntados sobre o clima no ambiente de trabalho por conta da pandemia, 76,6% deles dizem que seus colegas e colaboradores encontram-se apreensivos. Pessimistas, deprimidos, insatisfeitos e revoltados somam 10%.

Congresso on-line vai debater Medicina de Emergência em tempos de Covid-19

Para ajudar os médicos brasileiros a enfrentarem esse desafio com mais motivação e informação, a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) vai realizar em parceria com a EME Doctors o 1º Congresso Online de Medicina de Emergência, no dia 23 de maio, das 8h às 18h.

Participarão do evento 28 dos maiores nomes do país na área da Medicina de Emergência. Eles farão parte de mesa redonda, palestras e debates. O congresso é gratuito e as inscrições são feitas pelo site http://emedoctors.rds.land/congresso-online-de-medicina-de-emergencia. As vagas são limitadas, então, se você tem interesse, garanta agora sua inscrição.