Por que se especializar em Medicina de Emergência?

A Medicina de Emergência é uma especialidade reconhecida no Estados Unidos pela Associação Médica Americana desde 1979. Lá, a valorização é tão forte que se manifesta nas expressões culturais, como em séries e documentários premiados. George Clooney, por exemplo, ficou famoso por interpretar um médico emergencista na série Plantão Médico. Foram 15 temporadas baseadas no cotidiano da sala de emergência, rendendo o título de drama médico americano mais longo de todos os tempos até 2019, quando o recorde foi batido por Grey’s Anatomy – atualmente com 16 temporadas, também retratando o dia a dia de um hospital especializado em trauma.

No Brasil ainda não há tanto glamour em torno do atendimento de emergência, mesmo ele sendo tão importante no nosso contexto social – já que batemos recordes mundiais em violência civil e acidentes de trânsito, que impactam diretamente nas salas de emergência do país. Mas esse cenário está mudando. Desde 2016, quando a Medicina de Emergência já era uma especialidade reconhecida em mais de 80 países do mundo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) inclui a Medicina de Emergência na lista de especialidades médicas reconhecidas em nosso país.

A experiência internacional evidenciou inúmeras vantagens da especialização em Medicina de Emergência, tanto para os médicos, quanto para os pacientes e o sistema de Saúde como um todo. Por isso, a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) defende o slogan: “para um paciente na emergência, um médico especialista em emergência”. O entendimento é que é necessário preparo técnico e emocional especializados, já que as situações recebidas na sala de emergência tendem a ser as mais críticas.

É um lindo dia para salvar vidas

Na série Grey’s Anatomy, o personagem neurocirurgião Derek Shepherd (famoso pelo bordão “é um lindo dia para salvar vidas”) sofre um acidente de trânsito na 11ª temporada e acaba morrendo, após ser atendido por médicos despreparados para identificar uma hemorragia intracraniana. A ironia da história reforça a lógica de que quanto mais crítico e emergencial é o quadro do paciente, maior a necessidade de profissionais preparados para conduzir o atendimento.

A necessidade se torna urgente em nosso país quando analisamos os dados da Saúde Pública ligados ao tema. Segundo a análise do CFM, a cada hora, cerca de 20 pessoas dão entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento grave decorrente de acidente de trânsito. Foram mais de 1,6 milhão de pessoas feridas nos últimos 10 anos, impactando em quase R$ 3 bilhões o Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro problema social brasileiro é a violência civil. Nos últimos 15 anos, foram gastos R$ 210 milhões pelo SUS só com atendimento de crianças e jovens feridos por armas de fogo, por exemplo. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 536 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora no último ano no Brasil. Esses são só alguns dos casos que impactam diretamente nas salas de emergência do país.

A especialização em Medicina de Emergência dá o preparo necessário não apenas para que o médico forneça o melhor atendimento técnico ao paciente, mas também para que tenha habilidades emocionais que lhe permitam lidar com o impacto psicológico de atender pacientes neste estado, bem como com as dificuldades estruturais do próprio sistema de Saúde – muitas vezes sucateado, com poucos recursos disponíveis.

Além disso, com mais especialistas, a tendência é que com o tempo haja mais pesquisa e inovação nessa área. A formação acadêmica dos especialistas em Medicina de Emergência leva à melhor aplicação dos recursos públicos no setor, já que gera projetos consistentes e profissionais com preparo técnico para desenvolver e implementar políticas públicas e inovações que melhorem o atendimento de emergências no país.

Áreas de atuação para um especialista em Medicina de Emergência

Na Medicina de Emergência, assistência à saúde é diferente das demais especialidades. Ela exige que decisões sejam tomadas e colocadas em prática em um curto espaço de tempo. Os especialistas nesse campo podem atuar em diversas áreas, tais como:
Em um serviço pré hospitalar móvel (APH), como o SAMU;
Pré-hospitalar fixo (Estratégia de Saúde da Família, Unidade Básica de Saúde; Unidade de Pronto Atendimento – UPA);
Hospitalar (Pronto Socorro, Unidade de Emergência);
Enfermarias de retaguarda e Unidades de Cuidados Intensivos;
Unidade de Cuidados de AVC, IAM, Traumas;
Pós-hospitalar (Reabilitação, Atenção Domiciliar – Melhor em Casa);
Gestão da sala de Emergência.
Os serviços de emergência passaram a ser a maior porta de entrada para o sistema de saúde, não somente em hospitais públicos, mas também nas redes privadas.

O curso em Medicina de Emergência busca capacitar alunos para que compreendam possíveis articulações e a integração de todos os equipamentos de saúde. Dessa maneira, contribui para a qualificação e sensibilização de profissionais, promovendo um olhar humanizado e integral de pacientes em situação de emergência, para que sejam atendidos de forma ágil e oportuna.

A Medicina de Emergência é a escolha certa para mim?

Uma das decisões mais difíceis para um estudante de medicina é a escolha da sua especialidade. Essa escolha geralmente se baseia em encontrar o equilíbrio certo entre a carreira que se quer seguir e o estilo de vida que a pessoa deseja. Mas os motivos para escolher uma certa especialidade, em vez de outra, são raramente os mesmos para pessoas diferentes, já que são baseados tanto em motivações racionais quanto em emocionais.

Para alguns médicos essa escolha é fácil. Principalmente para aqueles que já chegam na faculdade de Medicina com um sonho de carreira em mente. Por outro lado, o contato com diferentes especialidades durante o curso pode levar os estudantes a mudar sua preferência.

Muitos estudos analisaram o que influencia a escolha em Medicina de Emergência. A conclusão é que justamente o que afasta alguns dessa especialidade, é o que mais atrai outras pessoas. Ou seja: escolher Medicina de Emergência tem muito a ver com o seu perfil.

Uma pesquisa publicada no final de 2018, em parceria entre a American University of Beirut Medical Center e a American Academy of Emergency Medicine, explica alguns dos fatores capazes tanto de atrair alguns, quanto de afastar outros profissionais para longe dessa especialidade.

Um desses fatores é a diversidade de experiência no trabalho. Em um único dia na emergência, é possível se deparar com casos cirúrgicos, psiquiátricos, simples viroses, intoxicações, envenenamento e tantos outros. Não saber o que vai “entrar pela porta” na próxima emergência é uma das motivações mais frequentes para quem escolhe uma carreira nesse campo. Isso dá ao médico de emergência a oportunidade de conhecer uma gama imensa de queixas e traumas em um único plantão. O que é mais entusiasmante e desafiador é o fato de você ser o médico na linha de frente, responsável por atender problemas que muitas vezes ameaçam a vida do paciente, frequentemente sem um histórico completo.

Outro fator que motiva estudantes a escolherem essa especialidade é a chance de ter uma agenda de trabalho flexível e pré-definida. Médicos de emergência geralmente têm seus plantões agendados para dias e horários específicos. Esses turnos podem variar de 8 a 12 horas, com alguns plantões durando 24h ou mais em áreas com poucos médicos disponíveis.

Para muitos especialistas em Medicina de Emergência, outra motivação é poder escolher o lugar onde se quer trabalhar. Isso acontece, principalmente, porque ainda há poucos especialistas nessa área e a demanda do sistema de saúde é alta.

Outra razão reportada por especialistas em Medicina de Emergência é a experiência em atendimento de pacientes traumatizados ou politraumatizados. Um estudo recente mostrou que quem escolhe a Medicina de Emergência como especialidade para seguir carreira tem maior tendência a se adaptar bem em situações de risco. Apesar de aproximadamente um terço dos casos atendidos nas salas de emergência serem classificados como “não urgentes”, a Medicina de Emergência continua oferecendo uma abundância de casos de emergência que podem atrair os “viciados em adrenalina” que buscam uma carreira na área.

Atender casos diferentes te motiva? Gosta de adrenalina, de ter que tomar decisões assertivas e agir rápido para salvar vidas? Quer ter uma agenda de trabalho definida e ser capaz de “não levar o trabalho para casa” quando o expediente termina? Lida bem com situações de risco e é motivado por resolver problemas?

Então provavelmente a Medicina de Emergência é a especialidade certa para você.

Pós-graduação em Medicina de Emergência

O centro de treinamento médico Exponential Medical Education (EME Doctors) oferece pós-graduação lato sensu em Balneário Camboriú (SC) para profissionais que desejam se especializar em Medicina de Emergência. O curso integra um corpo clínico de renome e, além das aulas teóricas, os alunos praticam em hospital de grande porte, vivenciando a sala de emergência com supervisão dos seus professores.
A pós-graduação é reconhecida pelo MEC com chancela da universidade UniAvan, reconhecida pelo MEC com nota máxima. Ao final do curso, o aluno também recebe certificação internacional pela American Heart Association (AHA) em ACLS e BLS.

Ao todo, são 12 módulos de curso com carga horária de 360 horas, sendo 180h presenciais, 30h de Trabalho de Conclusão de Curso, 90h de aulas à distância em plataforma de ensino remoto e 60h intra-hospitalares. Além de atender pacientes reais, os alunos também têm acesso às práticas com tecnologias de simulação realística e cadáveres fresh frozen do Instituto de Treinamento em Cadáveres (ITC).

O conteúdo programático do curso inclui tópicos como reanimação cardiopulmonar, hemodinâmica, ventilação, neurointensivismo, sepse, emergências clínicas, trauma, emergências cirúrgicas, nefrologia, ultrassom e transporte.

Mais informações podem ser acessadas no site da EME Doctors através do endereço http://emedoctors.rds.land/pos-graduacao-medicina-de-emergencia-lato-sensu.