SÍNDROME RARA ATINGE OS JOVENS E PODE CAUSAR MORTE SÚBITA

Taquicardia pode ser o coração pedindo ajuda. É o que aconteceu recentemente, por exemplo, com o jogador do Sport, Betinho, de apenas 28 anos de idade. Após sentir um desconforto cardiorrespiratório, o atleta foi afastado dos gramados, passou por exames e diagnosticado com a Síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW).

A Síndrome de Wolff-Parkinson-White é uma doença congênita que acontece quando há uma via elétrica acessória e anormal entre átrios e ventrículos, gerando uma pré-excitação ventricular. Esta via adicional aumenta a probabilidade da ocorrência de ritmos cardíacos anormais, as chamadas arritmias.

Além de sentir o coração disparar, outros sintomas da patologia são sensação de fraqueza e falta de ar. Raramente, a síndrome por si só leva o paciente a óbito, mas se as frequências ventriculares forem excessivas, entre 200 a 240 bpm, podem ocorrer fibrilação ventricular, infarto e até mesmo morte súbita.

Mesmo que a pessoa nasça com a doença, alguns sintomas podem se manifestar por volta dos 20 anos de idade. No entanto, há casos em que os sintomas aparecem já na infância como arritmias, dificuldades respiratórias, letargia, perda de apetite e/ou palpitações, sensação de batimentos rápidas e visíveis no tórax. A criança pode desenvolver insuficiência cardíaca.

Comumente é na adolescência que a doença emite os primeiros sinais com episódio de arritmia, geralmente durante a prática de atividade física. A perturbação pode passar logo ou persistir por horas. Além de incômoda, a sensação de taquicardia pode levar a desmaios, sintoma comum em idosos que se queixam ainda de falta de ar e dor torácica.

A síndrome de WPW é rara, com uma prevalência em torno de 1,5/100 mil pacientes. Por isso, a identificação da patologia pode demandar a realização de diversos exames. O mais indicado para o diagnóstico é o eletrocardiograma (ECG) que ao registrar a atividade elétrica do coração indica se há alguma conexão anormal entre átrios e ventrículos.

Em muitos casos, a taquicardia paroxística supraventricular devido à Síndrome de Wolff-Parkinson-White pode ser interrompida por meio de técnicas que estimulam o nervo vago, reduzindo a frequência cardíaca. As manobras vagais são facilmente realizadas, palpando o pescoço ou prendendo a respiração. Se este tratamento não resultar na recuperação esperada, os médicos podem entrar com medicação antiarrítmica.

Para a recuperação do volante do Sport, os médicos optaram por eliminar a via elétrica acessória por meio de ablação cardíaca, através de um cateter inserido pela veia femoral, semelhante a um cateterismo. Pouco invasivo, o procedimento é seguro e amplamente difundido na cardiologia.

O método é eficaz em 95% dos pacientes. O índice de mortalidade é baixo, inferior a 1 em 1.000 casos. Por destruir de uma só vez a via adicional, a ablação é especialmente bem-sucedida em jovens que, sem o método, poderiam ficar dependentes de medicamentos antiarrítmicos por toda a vida.

Após cerca de 20 dias de recuperação, Betinho voltou aos treinos no Recife. O jogador estava pronto para defender seu time nas competições que disputava. O coração curado pode bater mais forte de novo, mas agora palpitando saúde e bem-estar. A torcida rubro negra respirou aliviada de novo.